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Quando o projeto é planetário: Sustentabilidade para além da métrica




“Não é apenas sobre fazer projetos. É sobre fazer sentido.”

— Jacinto Jardim, meu mestre e autor de Gestão de Projetos: Fundamentos, Desafios e Investigação (Jardim, 2025).



❓ Por que ainda tratamos a sustentabilidade como um adereço opcional?


Em pleno século XXI, continuamos a enxergar sustentabilidade e responsabilidade social como itens de compliance — uma checklist a ser preenchida por obrigação. Não é à toa que até a novela Vale Tudo, da Rede Globo, uma releitura atualizada de uma produção dos  anos 80, vem ironizando o comportamento “pra inglês ver” das empresas e elites econômicas brasileiras. Até mesmo o setor audiovisual ainda denuncia como o ESG, muitas vezes, virou um verniz verde aplicado em cima de velhas práticas insustentáveis.


Mas como nos alerta o professor Jacinto Jardim (2025), “a gestão de projetos enfrenta desafios que ultrapassam tempo, custo e qualidade; exige cuidado com o meio ambiente, crescimento económico e coesão social”. Se nem mesmo esse tripé básico nos motiva a repensar nossos projetos, o que nos impede de agir com ambição ética real?


Talvez o que falte não sejam diretrizes, mas crença. E crença não se impõe por decreto. Ela nasce da consciência — ou, quando essa falha, da dor. Quantos gestores só despertam para a sustentabilidade após uma crise reputacional? Um processo judicial? Um desastre ambiental em sua cadeia de valor? Não deveria ser necessário doer para que se perceba que sustentabilidade é, acima de tudo, sobrevivência estratégica.


Formar consciência exige mais do que cartilhas ou relatórios bonitos. Exige vivência, transversalidade na formação de lideranças e, sobretudo, aprendizado prático. É no contato com o impacto real — seja em projetos sociais, seja na escuta ativa de comunidades — que gestores compreendem que sustentabilidade não é custo, nem moda: é responsabilidade. E, para muitos, também é redenção.



📊 Quando foi que sucesso virou sinônimo de entrega no prazo?


Projetos verdadeiramente sustentáveis transcendem cronogramas e orçamentos. Eles incorporam propósitos regeneradores desde a conceção até a conclusão. Jardim (2025, p. 187) mostra que “projetos sustentáveis não são apenas benéficos do ponto de vista ético e ambiental, mas também acrescentam valor aos negócios, fomentando inovação e reputação”. Ou seja: medir sucesso apenas por KPIs financeiros é limitar nosso potencial de transformação.



🤝 O novo perfil de líder de projeto


Sob a orientação do meu mestre, aprendi que o gestor de projetos deve ser antes de tudo um líder ético. Ele planeja considerando o impacto social e ambiental, envolve stakeholders com escuta ativa e integra “responsabilidade social” na missão da organização — não como apêndice, mas como núcleo estratégico (Jardim, 2025). É essa postura que distingue projetos memoráveis de meras entregas padronizadas.



🔍 Avaliar impacto: coerência, não burocracia


As ferramentas apresentadas no Capítulo 8 — como a checklist CAPS-27 e a escala ESRS-9 — não são meros formulários, mas lentes poderosas para antecipar e mensurar resultados (Jardim, 2025, pp. 204–208). Avaliar impacto deixa de ser atividade tardia e se torna o ponto de partida: só assim garantimos que o legado de um projeto vai além de um slide final.



🌐 Tornar o excecional em norma


O estudo de caso do parque eólico offshore revela que iniciativas verdadeiramente transformadoras ainda são exceção. Precisamos mudar isso: projetos pós‐pandemia não podem mais ser “tradicionais”. Devem ser intrinsicamente sustentáveis — um investimento de futuro, não um custo. Como meu mestre reforça, sustentabilidade é “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras” (World Commission on Environment and Development, 1987, citado em Jardim, 2025, p. 186).


Aprender com Jacinto Jardim é entender que cada escolha em gestão de projetos é, antes de tudo, uma decisão sobre o mundo que queremos habitar. Mais do que cumprir prazos, nossos projetos devem gerar realidades melhores — para as comunidades, para o meio ambiente e para o próprio negócio. É hora de fazer do planeta o nosso maior projeto.



Referências

Jardim, J. (2025). Gestão de Projetos: Fundamentos, Desafios e Investigação (pp. 184–212). Imprensa da Universidade de Coimbra.

World Commission on Environment and Development. (1987). Our Common Future. Oxford University Press.






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